Há dezenas de automóveis elétricos diferentes, a confirmar que a mobilidade elétrica é o caminho certo. Mas como escolher o mais adequado? Descubra o que deve ter em atenção.

A mobilidade alterou-se substancialmente nos últimos anos, com cada vez mais pessoas a usarem bicicletas, trotinetas e a intercalarem isso com os transportes públicos. Por outro lado, a transição energética, o fim anunciado dos combustíveis fósseis e a evolução da tecnologia levam ao aparecimento de mais e mais automóveis elétricos, de todos os formatos, preços e características.

E a mobilidade elétrica cresce também como um serviço, gera parcerias entre fabricantes e com outras empresas para oferecer novas alternativas a todos. Era difícil comprar um carro elétrico no passado? Agora o difícil é escolher o que mais se adequa a cada pessoa, família ou empresa, mas damos-lhe uma ajuda.

QUATRO TIPOS DE VEÍCULOS ELÉTRICOS

Os carros 100% elétricos a baterias são os mais comuns e aqueles que têm o futuro garantidamente assegurado, mas existem outros tipos de automóveis que circulam a eletricidade - sempre, ou pelo menos com uma autonomia elétrica de dezenas de km.

  • 100% elétricos. Com energia armazenada nas baterias, que podem ser carregadas através de ligação à rede elétrica, estes veículos recorrem a um ou vários motores para garantir a propulsão.
  • Elétricos com extensor. Automóveis cujo motor funciona apenas a electricidade, com baterias, mas que recorrem a um pequeno motor a combustão para produzir energia elétrica em caso de necessidade. Também podem ser carregados com ligação à rede.
  • Híbridos plug-in. Veículos a combustão que incluem um motor elétrico e baterias com potência e capacidade suficientes para se deslocarem apenas com recurso a energia elétrica. As baterias podem ser carregadas em casa ou nos mesmos postos que os outros elétricos.
  • Elétricos a hidrogénio. Os automóveis a fuel cells têm um motor 100% elétrico, mas em vez de a energia ser carregada na rede e acumulada em baterias, produzem a eletricidade internamente através das células de combustível, normalmente hidrogénio.

Entre o avanço já assinalável da tecnologia e as perspetivas em termos de transição energética e sustentabilidade - sem esquecer a enorme oferta que já existe - os automóveis elétricos exclusivamente a bateria são aqueles que têm um futuro mais promissor pela frente. Ainda assim, devemos ponderar vários fatores e características na altura de decidir qual queremos.

AUTONOMIA

Ficar sem bateria a meio de uma deslocação em carro elétrico é um dos principais receios que algumas pessoas ainda têm, mas essa preocupação hoje em dia é mais um mito do que outra coisa. Por um lado, a maioria das pessoas usa o carro apenas algumas dezenas de quilómetros por dia ou mesmo por semana, em deslocações para o emprego ou para a escola dos filhos. Por outro lado, as baterias dos carros elétricos garantem uma autonomia cada vez maior e um carregamento rápido e fácil, seja em casa ou nos postos de rua.

Já existem carros elétricos com preços mais competitivos com autonomia suficiente para viagens longas. Se é verdade que os carros elétricos com maior autonomia são normalmente mais caros, a maioria dos modelos entre os 20 mil e os 30 mil euros conseguem circular cerca de 300km antes de precisarem de novo carregamento. O modelo mais recente do grupo Hyundai-Kia, por exemplo, chega a oferecer uma autonomia acima dos 700 km (Kia EV6), segundo dados do fabricante, que o coloca como o segundo melhor do mercado nesse parâmetro, com um preço abaixo dos 60 mil euros, (menos de metade do que o carro elétrico com mais autonomia em Portugal neste momento, o Mercedes EQS). Entre os carros com maior capacidade de baterias há vários Mercedes, Tesla ou BMW, associados a luxo e preço elevado, mas também Ford, Volkswagen e Skoda.

Uma autonomia de 1.000 km é algo que também podemos antecipar para os próximos anos. A Volvo já anunciou que está a trabalhar para que os seus futuros carros o consigam, e para que carreguem em metade do tempo atual.

PREÇO

Enquanto não é atingida a paridade de preços em relação à gasolina - que deverá acontecer entre 2025 e 2027, ficando mesmo mais baratos a partir de 2030 - os carros elétricos continuam a ter um investimento inicial superior aos outros. Mas já há bastante oferta de carros entre os 20 mil e os 40 mil euros - e mais ainda acima desse valor. E a grande maioria dos 100% elétricos atualmente à venda fica abaixo dos 62.500 euros, o valor limite para se poder aceder ao incentivo estatal de 3.000€.

Abaixo dos 20.000€ mil há três modelos: dois puramente citadinos, de 2 lugares - os quadriciclos Citroën Ami e Renault Twizy -, e um mini-suv de 4 lugares, o Dacia Spring, que já consegue uma autonomia de 230km. Pouco acima desse patamar, é possível comprar um Renault Twingo E-Tech, um Smart EQ Fortwo ou um Volkswagen e-up!.

Depois, ainda há dois pontos que, apesar de totalmente distintos, ajudam na avaliação do preço na altura de comprar um carro elétrico: as versões em segunda mão, e os custos tanto de utilização como de manutenção de um veículo desse tipo.

Usados. Com uma grande oferta no mercado, que cresce todos os meses - bem como as opções de carregamento disponíveis - já se nota também uma dinâmica na troca entre carros elétricos. O mercado de usados está a crescer, é cada vez mais uma opção para quem está interessado na mobilidade elétrica, e uma pesquisa nos principais portais online de vendas de automóveis já apresenta mais de mil anúncios de carros usados 100% elétricos.

Custos. Quer tenha o dinheiro para investir - reduzindo as poupanças - ou escolha uma solução de financiamento para comprar um carro elétrico, tem a certeza de que os gastos mensais e anuais vão baixar logo de seguida. Além de gastar menos em eletricidade do que em combustíveis fósseis, não paga ISV na altura da compra; não paga IUC anual; tem descontos de 75% nas portagens das ex-SCUT; e em vários locais ou cidades não paga estacionamento. Em cima disso, os carros elétricos têm muito menos custos de manutenção do que um veículo a combustão.

FORMATO E ESPAÇO

A oferta de carros elétricos já é grande, e bastante variada. Quase todos os formatos de veículos a combustão têm correspondência na mobilidade elétrica, principalmente os mais procurados: citadinos, familiares compactos e SUV ou crossover. O que ainda não encontra muito em Portugal são familiares de 7 lugares - mas mesmo nessa gama já há modelos Tesla, Mercedes e Peugeot-Citroën. Quem tem uma família numerosa pode, no entanto, optar por um híbrido plug-in enquanto a oferta 100% elétrica não cresce para esse lado.

O número de lugares necessários também é importante na altura de escolher um carro elétrico, uma vez que algumas versões ‘sacrificam’ um lugar atrás, baixando a lotação para 4 pessoas, de forma a reforçar a habitabilidade e o espaço, além de reduzir o peso bruto do carro e assim melhorar a autonomia das baterias.

O que é mais difícil encontrar nos carros elétricos são bagageiras de grandes dimensões, devido ao espaço necessário para acomodar as baterias. Mas não é um problema grave se o banco traseiro for poucas vezes necessário. Caso seja, os SUV são a melhor opção, pois tanto as dimensões como a colocação das baterias nesse tipo de carros permitem ter uma mala bastante aproximada de uma versão a gasóleo ou a gasolina.

Nas cidades, as pessoas também usam menos o automóvel, têm outras formas de mobilidade suave e sustentável à disposição, ou então não precisam que o carro de todos os dias seja um familiar grande e espaçoso. Neste âmbito, a compra de um citadino elétrico de 2 ou 4 lugares, com um preço em torno dos 20 mil euros, preenche facilmente os requisitos do dia-a-dia. Para as deslocações maiores, ou para as férias, há sempre a hipótese de alugar um carro maior, que até pode ser um elétrico na mesma, ou um híbrido plug-in.

CARREGAMENTO E UTILIZAÇÃO

Diretamente associadas aos outros parâmetros, as possibilidades de carregamento e as necessidades de utilização do carro acabam por funcionar também, em conjunto, como fatores de decisão. Se tiver possibilidade de carregar um veículo elétrico em casa - de preferência com um charger EDP para tornar o processo mais rápido, seguro e eficiente - ou mesmo na garagem do condomínio, qualquer automóvel se pode adaptar às suas necessidades. O preço e o número de lugares acabam por ser mais decisivos do que a autonomia.

Quem não tem forma de carregar o carro em casa ou na sua empresa, deve calcular bem as necessidades normais de condução durante a semana na altura de escolher um novo automóvel elétrico - dando especial atenção à autonomia, com a certeza, no entanto, de que a rede pública de carregamento de veículos elétricos gerida pela MOBI.E é cada vez maior em Portugal, bastando pedir um cartão CEME para ter acesso a esses pontos, que podem ser normais, rápidos, ou ultrarápidos. Além disso, com uma simples aplicação como a EDP Charge, consegue encontrar facilmente os postos disponíveis; saber os preços cobrados pela utilização do posto - o custo da energia em KWh está já definido no seu cartão ou começar e terminar o carregamento através do smartphone.

Há ainda cada vez mais pontos de carregamento privados disponíveis em parques de estacionamento de empresas, centros comerciais, hotéis ou até restaurantes, que completam a extensa rede de postos na via pública, em áreas de serviço e postos de abastecimento de combustíveis. É esta oferta, cada vez mais frequente, que permite uma maior segurança e tranquilidade para que os utilizadores possam realizar as suas viagens com total confiança independentemente das limitações relacionadas com a autonomia.

A autonomia dos carros elétricos vai rapidamente igualar ou mesmo ultrapassar a dos veículos a combustão, enquanto a evolução da tecnologia também permite que os preços destes automóveis baixem. A mobilidade elétrica já é uma realidade ao alcance da maioria dos condutores, e vai sê-lo cada vez mais à medida que a oferta alarga a todos os segmentos e necessidades, seja para a família ou para os negócios.