O investimento inicial numa casa inteligente pode significar poupança no futuro. Conheça os benefícios na gestão de consumos e não só.

Hoje, uma casa pode saber mais sobre os seus habitantes do que eles mesmos — ou, pelo menos, mais sobre aquilo que a alimenta, os seus consumos e a forma como estão organizados. A gestão e a segurança das casas estão cada vez mais entregues a mecanismos automáticos e inteligentes. Chegou a era das casas inteligentes.

A domótica, isto é, a integração dos mecanismos automáticos no espaço doméstico, está a crescer. Em 2020 cresceu 4,5% face ao ano anterior, segundo a consultora IDC: no mercado global foram vendidos 801,5 milhões de aparelhos com vista a tornar as residências mais inteligentes. Este mercado não dá sinais de abrandar.

Para já, o investimento inicial também é significativo, mas, em muitos destes casos, a sua utilização a médio e longo prazo traz poupança através do controlo de custos, além de ter outras vantagens para a qualidade de vida.

A comodidade dos assistentes de voz e internet of things

Para o funcionamento dos diversos aparelhos no mercado neste momento é essencial a internet of things ou internet das coisas (IoT), isto é, a ligação destes objetos a um hub, que funciona como uma espécie de centro de controlo.

As aplicações nos smartphones tomam precisamente esse papel de uma forma muito intuitiva. Outra opção para gerir todos os aparelhos ligados são os voicebots: os assistentes de voz.

São uma espécie de mordomos virtuais: basta chamar por eles e dar-lhes uma ordem — pedir que acendam a luz ou a televisão — ou mesmo pedir que nos entretenham (alguns têm já a capacidade de fazer conversa). A Siri (Apple), Alexa (Amazon), Google Assistant e Cortana (Microsoft) dominam o mercado e, através da voz, são a porta de entrada para os benefícios que uma casa inteligente tem para oferecer.

Gestão de consumos e de custos

Uma das vertentes da domótica está focada na eficiência energética. Um controlo apertado dos gastos de energia converte-se sempre numa descida de custos.

Comecemos pelos consumos do stand by. Com o controlo remoto de diversos aparelhos, através de um smartphone ou de um assistente de voz, podem eliminar-se todos os consumos relativos ao stand by, já que é possível desligar ou ligar à distância aparelhos como televisores, sistemas de som ou até sincronizar a máquina de café com o despertador.

Outra das vantagens é a possibilidade de monitorizar e desligar luzes ou aquecimento, mesmo não estando em casa. Além de não aumentar o consumo (e a conta) por causa de um esquecimento, pode melhorar o conforto térmico de casa, se ligar o aquecimento momentos antes de chegar e programá-lo para se desligar à noite, pouco antes de ir dormir — aproveitando o calor residual sem gerar mais calor.

Há outras formas de poupar energia. Se for cliente EDP e tiver um Pack Full, pode aderir à Gestão de Energia. Esta funcionalidade permite controlar em tempo real os consumos de eletricidade através da área de cliente e da app EDP Zero. Indica os equipamentos que mais consomem, garante o envio automático de leituras, eliminando assim as estimativas de consumos. Tudo isto é possível graças a um equipamento que é instalado por técnicos profissionais no quadro elétrico.

Para quem tem painéis solares, o controlo da produção e utilização de energia é ainda mais importante, uma vez que as horas de maior sol (e portanto de maior produção de energia) nem sempre correspondem aos picos de consumo energético das casas.

Através de aplicações como a app EDP Solar é possível, no telemóvel ou com comando de voz, ligar e desligar equipamentos associados a este serviço, monitorizar a produção de energia pelos painéis fotovoltaicos e receber alertas quando há uma falha de energia. Tudo em tempo real. Além disto é possível gerir os consumos e armazenamento de baterias solares, essenciais para potenciar a eficiência energética e poupança de energia dos painéis fotovoltaicos.

Também apps para carregamento de veículos elétricos, como é o caso da EDP EV.Charge são capazes de ajudar na gestão dos carregamentos com o fim de poupar energia e dinheiro. O sistema usa também o controlo remoto para iniciar e terminar carregamentos em função do preço das tarifas, por exemplo, ou dos picos de consumo.

Maior segurança contra imprevistos e intrusos

Fugas de água, incêndios ou a presença de intrusos são anomalias que sistemas de domótica estão a abordar: kits de segurança ligam o videoporteiro ou a campainha ao smartphone ou, através de sensores de movimento, emitem alertas em caso de algum problema.

No limite, pode até instalar câmaras de videovigilância cujas imagens pode acompanhar através de uma simples ligação à internet, o que é um grande investimento inicial — especialmente em residências com grandes áreas e várias divisões.

A isto juntam-se as fechaduras inteligentes — que não precisam de chave, só de um código, de uma aplicação no telemóvel ou mesmo de um SMS. Isto facilita largamente a abertura remota da porta e acaba com o azar de deixar as chaves dentro de casa.

Valorização do imóvel

Como dito, a domótica é uma tendência do mercado e não dá sinais de regressão. Um estudo das americanas Coldwell Banker e CNET revelava, já em 2016, que 81% dos compradores se sentia mais inclinado a comprar um imóvel se ele já tivesse alguns sistemas de domótica.

Em relação ao mercado português, em 2021, o relatório Flexi da Liberty Mutual para a Liberty na Europa (Portugal, Espanha e Irlanda) mostrou que 53% consumidores nacionais vêem as casas inteligentes como o caminho a seguir, o que mostra bem a disponibilidade do mercado para valorizar este tipo de equipamentos.

Na valorização de um imóvel, equipamentos como uma fechadura inteligente, um termostato inteligente para manter a temperatura da casa constante, videoporteiro ou detetores de fumo não são extravagâncias, mas antes elementos que promovem segurança e a poupança, e portanto valorizados por potenciais compradores.

Inteligência personalizável

Uma casa inteligente conhece aqueles que a habitam. Os seus hábitos e preferências podem ser registados para que haja uma quase “auto-gestão” da casa de acordo com o seu estilo de vida.

Escolher a intensidade ou mesmo as cores da luz? Saber o que vai faltar no frigorífico com antecedência e ter este eletrodoméstico a fazer a encomenda online por si? Chegar a casa e ter a sala com a temperatura ideal? Ou ter um aspirador que limpa a casa durante as horas em que, tipicamente, está ausente? Qualquer uma destas mordomias é possível neste momento e tornar-se-á cada vez mais democrática.

Para todos estes sistemas é imprescindível uma ligação à internet da parte dos aparelhos — e as marcas começam a investir nisso de forma evidente. Ainda há muito por explorar no capítulo da internet das coisas e, nesta área, o 5G será um salto gigante, uma vez que é uma geração de rede móvel com maior capacidade, menos latência e maior velocidade.

Se está a pensar renovar os eletrodomésticos de casa, talvez seja uma boa ideia pensar nas vantagens que esta nova geração de aparelhos proporciona e ter atenção a algumas dicas antes de comprar.