Conheça os diferentes tipos de placas de fogão e descubra qual a melhor opção para a sua casa.

O seu fogão ainda é daqueles antigos, com bicos de gás difíceis de limpar? Se vai mudar de casa ou renovar a sua cozinha, saiba que esta pode ser a altura ideal para pensar numa alternativa mais moderna, segura e fácil de limpar. E, nesse sentido, nada como apostar num fogão elétrico com placa para dar um novo brilho à sua cozinha. O mais difícil é mesmo escolher a solução certa: placa de indução ou placa vitrocerâmica?

Nós ajudamos. Neste artigo, analisamos as funcionalidades técnicas, limpeza e diferença de custos entre ambas as placas de fogão, para que saiba tudo o que deve ter em conta de forma a fazer uma escolha mais consciente e adequada às suas necessidades.

Placas de indução ou vitrocerâmicas: quais as diferenças?

Antes de comprar, deve ter em consideração o tipo de energia que tem (gás ou eletricidade), dado que as placas apenas funcionam a eletricidade. Se tiver gás, esta pode ser a altura ideal para lhe dizer adeus, melhorar a eficiência da sua casa e torná-la elétrica, não só ao nível das placas de fogão, como também do aquecimento de água.

Produção de calor

As placas vitrocerâmicas produzem calor através da resistência elétrica que têm por baixo, aquecendo toda a base da resistência do foco que se ligar.

Ao contrário, as placas de indução geram calor através de ondas magnéticas criadas apenas quando a base do recipiente – neste caso, magnetizável – cobre o foco. No fundo, apenas a panela é aquecida, não a superfície da placa, o que faz com que não haja desperdício de energia.

Consumo de energia

Ao olharmos em pormenor para o consumo de energia de ambas as placas, podemos reparar que, de uma forma geral, as placas de vitrocerâmica demoram mais tempo a aquecer e a cozinhar completamente os alimentos, pelo que desperdiçam mais calor e consomem mais eletricidade. Para que perceba mais concretamente o seu impacto no consumo de energia, numa escala de 0%-100% em termos de eficiência energética, estas placas situar-se-iam por volta dos 70%.

Em alternativa, as placas de indução precisam de menos tempo para aquecer e confecionar os alimentos, traduzindo-se num menor consumo de energia (uma vez que há um desperdício de calor mínimo) e, por isso, se aplicássemos a mesma escala de eficiência energética que mencionámos acima, estas placas rondariam já os 90%.

Importa ainda ter em atenção que, se for trocar um fogão a gás por uma placa de fogão elétrica, poderá ser necessário aumentar a potência contratada da casa. Assim, antes de instalar a sua nova placa elétrica, convém perceber se a potência que tem, no momento, suporta o valor extra. Desta forma, assegura-se de que não está a utilizar mais do que a potência que contratou e que, quando estiver a usar a placa em simultâneo com outros equipamentos, o quadro elétrico não “dispara”. Neste sentido, existem ainda placas de indução que possuem uma função designada power management (gestão da potência) que, como o nome indica, permite definir e limitar o nível de potência da placa, evitando sobrecargas.

Controlo e velocidade

Um dos grandes pontos positivos deste tipo de placas de cozinha, em oposição aos antigos bicos de gás, é que estas apresentam controlos digitais que nos permitem controlar de forma mais eficaz o calor desejado. Claro que, como em qualquer outro equipamento que é utilizado diariamente, quando trocamos os bicos a gás por uma placa elétrica, existe sempre um período de habituação. Ao início, por exemplo, talvez lhe possa parecer difícil acertar o volume correto de calor da placa para cozinhar. Contudo, com a experiência, esta dificuldade facilmente desaparece. Neste sentido, por norma, o controlo de temperatura tende a ser mais preciso e reativo quando falamos das placas de indução.

Além deste aspeto, existem ainda diferenças entre ambas as placas no que diz respeito à velocidade de aquecimento e confeção de alimentos, conforme mencionado anteriormente. Enquanto a placa de vitrocerâmica demora mais a aquecer e perde calor na transferência entre a placa e o utensílio de cozinha, a placa de indução aquece a panela instantaneamente devido ao seu campo magnético. Como não há perda de calor, o tempo de confeção acaba por ser muito mais reduzido.

Na prática, ao comparar o tempo que cada uma destas placas de fogão leva, em média, para ferver dois litros de água (por exemplo), enquanto a placa vitrocerâmica demoraria, aproximadamente, nove minutos, a placa de indução precisaria apenas de cinco para aquecer a mesma quantidade.

Segurança

Este talvez seja um dos pontos mais distintivos entre as duas placas de fogão. A placa de vitrocerâmica retém o calor após cada utilização. Ou seja, depois de cozinhar e de desligar a placa, esta continuará quente e levará algum tempo a arrefecer. Uma dica para poupar energia e utilizar a placa de forma eficiente, pode ser desligá-la uns cinco minutos antes e aproveitar o calor residual para acabar de cozinhar. Outra nota importante a referir, é que alguns modelos de placas vitrocerâmicas já apresentam um indicador de calor residual que permite saber quais as zonas que estão quentes, evitando distrações e possíveis queimaduras.

As placas de indução são, por sua vez, mais seguras. Além de não aquecerem o vidro da placa, como anteriormente referimos, desligam-se automaticamente em caso de derrame de líquidos. Mas não é tudo. Para os mais distraídos, esta placa também se desliga se detetar que passou algum tempo desde a última utilização, ou em caso de sobreaquecimento da mesma.

Utensílios de cozinha

Aqui, a vantagem vai para as placas vitrocerâmicas. Isto porque suportam qualquer tipo de recipiente. No fundo, caso opte por trocar o fogão antigo para uma moderna placa de vitrocerâmica, não precisa de comprar novos utensílios de cozinha.

Contudo, as placas de indução requerem materiais específicos como o aço esmaltado, ferro fundido e, em alguns casos, aço inoxidável. De parte, deverão ficar os recipientes de alumínio, cerâmica, cobre, barro ou pyrex.

Uma dica útil para saber se um dos seus recipientes é ou não compatível e possível de ser utilizado numa placa de indução, é experimentar aproximar um íman da base da panela ou frigideira. Se o íman for atraído para a base, o utensílio de cozinha em questão pode ser utilizado na placa de indução.

Limpeza das placas

Ambas as placas devem ser sempre limpas após cada utilização. Quando estiverem frias, podemos iniciar a limpeza com um pano húmido. Caso existam restos de comida agarrados à placa, podemos recorrer a um raspador de vidro próprio para estas superfícies. Não é aconselhado utilizar esponjas metálicas, nem produtos químicos ou abrasivos.

Preço e outros custos 

O preço é sempre um fator a ter em conta quando se investe num novo equipamento. No caso de querer uma placa de fogão mais segura, a placa de indução será a mais indicada. Contudo, esta é também mais cara, uma vez que utiliza uma tecnologia mais moderna e necessita, como referimos antes, de utensílios próprios. Se não quiser fazer este investimento, opte, então, por uma placa de vitrocerâmica.

Afinal, que placa de fogão devo escolher?

Agora que já lhe apresentámos as grandes diferenças entre as duas placas, deixamos-lhe abaixo uma infografia de resumo das placas vitrocerâmicas e das placas de indução, tendo por base cada uma das variáveis que analisámos.

Mas se ainda estiver indeciso entre estas duas alternativas, damos-lhe alguns conselhos:

  • Caso tenha um orçamento mais apertado e procure uma solução mais barata, então a placa vitrocerâmica poderá ser a melhor opção para si
  • Se tiver alguma folga orçamental e quiser investir numa solução mais eficiente e segura para toda a família, aconselhamo-lo a comprar uma placa de indução

Para além destes aspetos, outro dos pontos a ter em atenção é o número de focos de aquecimento que irá necessitar:

  • Se costuma cozinhar para uma família de três a quatro pessoas, poderá optar pelas placas habituais de quatro focos
  • Para uma família mais numerosa ou que tem o hábito de adiantar algumas refeições para os próximos dias, talvez será melhor considerar uma placa com cerca de seis pontos de aquecimento

Outro pormenor importante, é perceber se quer uma placa de pousar ou de encastrar. Ao instalar uma opção ou outra, dever ter em conta o seguinte:

  • Se optar por encastrar, observe o tamanho do recorte que tem – ou que gostaria de ter – na bancada, visto que há placas quadradas e retangulares
  • A placa de indução deve ser colocada em bancadas de 30 ou 40 mm, sem silicone. Poderá ser instalada por cima de fornos ventilados, mas não sobre outros eletrodomésticos
  • Deve deixar no mínimo 5mm, desde o fundo da bancada, na abertura frontal e traseira, para a saída do ar

Depois de escolher a placa de fogão ideal para si, basta apreciar o quanto a sua cozinha ficou mais bonita, moderna, segura e eficiente. E lembre-se: para além do fogão, poderá também trocar outros equipamentos a gás que tenha em casa por equipamentos elétricos, seja para aquecer águas sanitárias ou para climatizar a casa, aumentando ainda mais a eficiência e segurança da sua casa.