Ser solidário é hoje mais importante do que nunca. Descubra o que pode fazer para apoiar quem mais precisa durante este surto.

A pandemia atual veio mudar a forma como vivemos e a necessidade de isolamento social - que é uma responsabilidade de todos - levou a grande maioria da população a ficar em casa. Com exceção para profissões essenciais, a regra, por estes dias - e tudo indica que muitas destas regras se manterão no tempo -, é sair apenas para o estritamente necessário, como compra de comida ou medicamentos. Mas há quem nem mesmo essas tarefas básicas possa fazer.

Nesta altura, em que todos vivemos tempos difíceis e exigentes, tornou-se ainda mais importante lembrarmo-nos daqueles que vivem em situações precárias, das crianças e jovens mais carenciados, dos idosos e pessoas dos grupos de risco que não se podem expor, dos sem-abrigo, mas também dos profissionais de saúde e trabalhadores de áreas essenciais que diariamente se arriscam por todos nós.

Por isso, se tem possibilidade e vontade de ajudar quem mais precisa, damos-lhe a conhecer algumas formas de apoiar a população portuguesa durante este surto. Desde os gestos mais simples, até grandes movimentos nacionais, o que importa é ajudar. E são muitos os grupos que precisam.

IDOSOS E GRUPOS DE RISCO

Nesta altura, as pessoas mais vulneráveis são os mais velhos e todos aqueles que pertencem a grupos de risco (pessoas com doenças crónicas, como cardíacas, pulmonares e diabetes). Por terem uma necessidade especial de proteção e por, muitas vezes, terem doenças e condições que não lhes permitem sair à rua para ir ao supermercado ou à farmácia, essas pessoas precisam de mais ajuda nesta altura.

A primeira origem dessa ajuda é, naturalmente, a família direta. Por isso, se tiver familiares nestas condições e que possa auxiliar, faça-o - pode inclusivamente ser uma boa oportunidade para manter um contacto mais estreito e reforçar laços familiares. No entanto, para muitas pessoas neste grupo de risco essa ajuda não existe ou os familiares encontram-se muito distantes (por vezes até noutros países). Nessas situações, a ajuda tem de chegar de outros locais.

Idosos e grupos de risco

As autarquias e juntas de freguesia de norte a sul do país, têm-se reorganizado para prestar assistência aos que dela necessitam, muitas vezes criando bolsas de voluntários, seja através da compra e entrega de bens alimentares e farmacêuticos, seja até através do apoio psicológico.

Criada a pensar nos mais vulneráveis a aplicação Quero Ajudar foi desenvolvida por um grupo de profissionais portugueses e brasileiros, para ajudar a suprir várias necessidades, como ir ao supermercado ou à farmácia, dar apoio psicológico, mas também tomar conta de crianças ou passear animais de estimação, entre muitos outros. Existe também uma funcionalidade que permite dar apoio aos profissionais de saúde doando, por exemplo, refeições ou outros bens essenciais. A app tem duas opções - “Preciso de Ajuda” e “Quero Ajudar”.

VIZINHOS

Logo com o início do isolamento social, começaram a surgir movimentos espontâneos de cidadãos, que deixavam bilhetes com mensagens nos seus prédios a disponibilizarem-se para fazer recados aos vizinhos que não têm a possibilidade - ou não devem mesmo - sair de casa.

Rapidamente esse movimento cresceu e os bilhetes começaram a chegar a bairros inteiros e até às redes sociais, onde as pessoas se oferecem para ajudar os vizinhos mais próximos, mesmo que desconhecidos. Mas a vontade de ajudar foi muito mais longe e uma série de voluntários juntou-se para criar plataformas online que facilitem os pedidos e as ofertas de ajuda. A nível nacional nasceram o site SOS Vizinho e a página de Instagram Vizinho Amigo, que já reuniram milhares de voluntários para distribuir bens essenciais a quem mais precisa. Para ajudar só precisa de aceder às páginas e inscrever-se. E esta é uma prática que, ao que tudo indica, se deve prolongar no tempo, pelo menos até que exista um tratamento eficaz ou uma vacina para a COVID-19.

CRIANÇAS E JOVENS CARENCIADOS

Com o encerramento das escolas, tornou-se óbvia a desigualdade entre alunos. Esta situação reflete-se ao nível alimentar - com alguns alunos a receberem uma boa parte da sua alimentação na escola, ter as escolas fechadas implica deixar milhares de crianças sem comida. Para resolver isto, foi, desde o encerramento, definida uma rede local de apoio e distribuição de cabazes às famílias carenciadas.

No entanto, a este problema junta-se outro, agudizado com a decisão de manter a grande maioria das escolas encerradas durante o 3º período: ainda existe um número considerável de alunos sem acesso a computador e à internet. Ainda que o governo já tenha assegurado a universalidade do acesso digital a partir do próximo ano letivo, para procurar resolver este problema no imediato, têm surgido algumas iniciativas informais através das redes sociais para recolher computadores e hotspots sem uso, mas as autarquias também têm feito distribuição de computadores. Além disto, a Epis - Empresários pela Inclusão Social tem a decorrer uma campanha de doação de computadores a alunos em risco de exclusão digital.

A norte do país, a Universidade do Minho decidiu ajudar os estudantes mais carenciados a concluírem o ano letivo através do ensino online, lançando, junto da comunidade Alumni, uma campanha de recolha de computadores. Os equipamentos informáticos doados podem ser portáteis, desktops ou tablets, novos ou usados, e irão permitir aos alunos acompanhar as aulas à distância e concluir as avaliações. A recolha do material será assegurada pela universidade e, quem puder ajudar, deverá contactar a instituição através do e-mail alumni@alumni.uminho.pt

SEM-ABRIGO

Com o surto de COVID-19, o número de pessoas em situação de sem-abrigo ou vulnerabilidade financeira tem vindo a aumentar. Como resposta a esta realidade, foram criados 18 novos espaços de norte a sul do país para acolher pessoas sem-abrigo. Além disto, muitas instituições têm pedido ajuda à população portuguesa, para que possam continuar a realizar o seu trabalho e, inclusive, aumentar a sua capacidade de resposta.

A Comunidade Vida e Paz apoia diariamente mais de 800 pessoas sem-abrigo, número que continua a aumentar, pelo que continua a precisar de bens alimentares, produtos de higiene e de proteção pessoal, e apoio financeiro. A norte, a Porta Solidária passou de 140 utentes para perto de 500 e precisa de bens alimentares, mas também de apoio financeiro.

Já a associação Crescer, que tinha aberto em outubro o É Um Restaurante, restaurante liderado pelo chef premiado Nuno Bergonse, no qual o serviço é assegurado por pessoas que estão ou estiveram em situação de sem-abrigo, adaptou este projeto de forma a que, durante o surto de COVID-19, possa fornecer refeições a quem mais precisa. Assim, para produzir e entregar mais de 200 refeições diárias, a Crescer precisa de ajuda, nomeadamente bens alimentares como arroz, milho, grão e feijão, legumes para sopa, pão, iogurtes e fruta.

PROFISSIONAIS DE SAÚDE

A SOS Covid é um movimento de empreendedores portugueses, das mais diversas áreas, que teve início num grupo de makers, que, ao tomar conhecimento da falta de viseiras de proteção, se disponibilizou a usar as suas impressoras 3D para as produzir, doando-as a profissionais de saúde. A rede ainda não parou de crescer, seja ao nível das impressoras disponíveis, seja ao nível dos acetatos e dos filamentos necessários, e atualmente tem uma média de produção de 10 mil viseiras por dia. Mas a ajuda continua a ser bem-vinda.

A Direção-Geral da Saúde também lançou um apelo à população e às empresas que possam ajudar o Serviço Nacional de Saúde. Assim, se tem uma empresa que pode ajudar a produzir equipamentos médicos - como máscaras e batas cirúrgicas, fatos de proteção, viseiras, zaragatoas ou ventiladores - e a abastecer os hospitais portugueses, contacte a DGS.

Também os hospitais e os profissionais de saúde precisam de toda a ajuda que lhes consigamos dar. E foi precisamente a pensar nisso que nasceu a Stop COVID-19. Esta é uma iniciativa, gerida pela GoParity e inserida no movimento Tech4Covid19, que tem como objetivo angariar fundos para a compra de equipamento médico urgente. A campanha já ultrapassou há muito o valor previsto de 100.000€, mas ainda é possível continuar a doar.

INSTITUIÇÕES DE SOLIDARIEDADE

As instituições que apoiam a população mais desfavorecida foramseveramente afetadas pelo surto de COVID-19. O número de pessoas que precisam de ajuda, quer seja através de apoios financeiros ou da doação de refeições, por exemplo, começou a aumentar e as associações deixaram de ter mãos a medir e a precisar, elas próprias, de ajuda.

Uma forma de o fazer - e caso tenha possibilidade - é através do voluntariado. Por exemplo, o Governo lançou a campanha Cuida de Todos, cujo objetivo é atrair voluntários para lares e instituições que precisem de reforços.

Outra forma de ajudar é através do IRS: até 30 de junho, decorre a entrega das declarações e qualquer contribuinte pode consignar 0,5% do seu imposto - sem qualquer custo - a instituições de solidariedade social. Ao preencher a declaração só precisa de assinalar essa opção e indicar o NIF da instituição pretendida.

Já o movimento Tech4Covid19 é a iniciativa portuguesa mais abrangente de génese tecnológica. Criado por um grupo de fundadores de startups tecnológicas tem como objetivo usar a tecnologia para ajudar a combater a pandemia de COVID-19. A iniciativa já juntou, até ao momento, 5.254 voluntários, especialistas em diversas áreas, 210.000€ e tem 27 projetos ativos, estando a colaborar com o Governo para minimizar os efeitos da propagação do vírus. Se quiser pertencer a este grupo só precisa de preencher este formulário.

Nesta lógica de partilha de conhecimento, o site Covid.pt reúne ideias para ajudar a resolver problemas. O site, criado por três empresas que se uniram neste propósito, identifica desafios causados pela crise da COVID-19 e qualquer pessoa pode dar uma ideia para os resolver. Depois os utilizadores avaliam-na e ajudam a desenvolvê-la.