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Sustentabilidade nos festivais: mito ou possibilidade?

Por todo o mundo, os festivais estão a tentar ser cada vez mais sustentáveis. Mas será que na realidade estão a conseguir levar os festivaleiros a terem atitudes e comportamentos mais amigos do ambiente?

Começa o bom tempo, começam os festivais de verão por todo o mundo. Depois de dois anos sem o bom ambiente, a boa música e as roupas cheias de pó, os festivaleiros já estavam a precisar de uma boa dose de festivais. De junho a agosto, quase todos os fins-de-semana há um festival em Portugal.

No entanto, para além da preocupação com a line-up ser genial e atrativa para o público, as organizações dos festivais têm vindo a preocupar-se cada vez mais com a sustentabilidade dos mesmos.

Mas será que os festivais conseguem realmente ser sustentáveis? Com milhares de pessoas a passar pelos recintos e zonas de campismo diariamente pode tornar-se difícil assegurar a sustentabilidade do festival. Mas vamos descobrir se é uma possibilidade ou apenas um mito.

Sustentabilidade nos festivais pode acontecer? Já está a acontecer!

O facto de os festivais estarem a ficar mais sustentáveis não é apenas um mito urbano, mas sim uma realidade.

As organizações estão a tomar cada vez mais medidas a favor da sustentabilidade dos mesmos. E tudo começa pelo local escolhido para fazer o festival. Devem ser evitados locais importantes para a conservação da natureza, devido ao ruído para a fauna e pisadelas em zonas de coberto vegetal.

A alimentação é também uma parte fundamental de qualquer festival e esta deve ser pensada com bastante atenção. Cada vez mais festivais estão a apostar numa política contra o desperdício alimentar, em consumo de produtos locais e até já oferecem várias opções de dietas vegetarianas e veganas.

Já nas bebidas, o mais comum é a utilização de copos reutilizáveis, em que o festivaleiro compra o copo na primeira transação e depois apenas faz o refill do mesmo, por um valor mais reduzido. A ideia destes copos é que estes sejam reutilizados não só nos vários dias do mesmo festival, mas sim de ano para ano. Em alguns festivais, existe a possibilidade de entregar o copo e receber o valor que pagou por ele.

Infelizmente também as beatas são uma das maiores fontes poluidoras dos festivais e a opção encontrada foi o aumento dos cinzeiros espalhados pelo recinto e também a entrega de cinzeiros portáteis.

Outra medida que está a ser tomada pelas organizações dos festivais é a tentativa de zero lixo, possibilitada pela existência de vários caixotes pelo recinto, mas também pela contratação de “apanhadores do lixo”, que andam pelo festival a recolher os plásticos e o lixo existente pelo chão.

O Boom Festival como exemplo de sustentabilidade em Portugal

O festival que faz da sustentabilidade um dos seus motes principais e que se realiza em Idanha-a-Nova, em Portugal, é um verdadeiro exemplo cumprindo com todas as medidas descritas anteriormente.

É também neste festival que se iniciam algumas das medidas mais extraordinárias em prol da sustentabilidade, como é o caso das casas de banhos secas. Estas foram implementadas pela primeira vez em 2006 e têm vindo a ser melhoradas desde aí.

Estas casas de banho secas são livres de cheiro, visto que no tanque que recebe as necessidades é adicionado carbono para facilitar a compostagem e neutralizar o odor.

Quando o festivaleiro terminar as suas necessidades, deve utilizar o papel higiénico reciclado e fechar o tampo, sem descarregar o autoclismo (que não existe), para preservar o calor do tanque, que pode chegar as 50ºC. Assim, todas as necessidades humanas armazenadas no tanque podem ser utilizadas como adubo. Segundo a organização do festival, este mecanismo poupa cerca de 19 milhões de litros de água por festival.

E lá fora? A sustentabilidade nos festivais existe?

A sustentabilidade festivaleira está a surgir um pouco por todo o mundo e existem vários festivais internacionaisfestivais internacionais que são neste momento um exemplo de sucesso no que toca à sustentabilidade. Vamos apresentar alguns desses festivais:

Burning Man Festival

Acontece nos Estados Unidos da América e tem, desde sempre, uma política de “não rasto”, seja por pensamentos amigos do ambiente, seja pela essência do festival.

Para além disso, alguns dos festivaleiros mais recorrentes instalaram um painel solar de 30kW que foi doado à cidade vizinha.

Green Man Festival

No País de Gales, este festival tem várias políticas sustentáveis, tais como apenas se poder levar elementos biodegradáveis, todo o plástico é banido do recinto e todos os elementos de campismo que forem deixados para trás são doados aos refugiados.

Splendour In The Grass

As políticas de sustentabilidade para este festival australiano começam logo aquando da compra dos bilhetes, visto que existe a opção de “Carbon Offset” em que existe a possibilidade de erradicar todas as emissões de carbono que cada pessoa faz durante o festival.

Para além disso, têm um desafio que consiste em que cada festivaleiro deve minimizar o impacto ambiental o mais possível e deve plantar árvores todas as manhãs. Quem ganhar, recebe um bilhete VIP para o festival do ano seguinte.

Pohoda Festival

Este festival acontece na Eslováquia e fez um acordo com várias empresas de energia solar que providenciam toda a energia do mesmo, assim como com as companhias de comboio de forma a reduzir as emissões de CO2 dos transportes.

NorthSide

Com localização na Dinamarca, este festival contrata “apanhadores de lixo” para incentivar os festivaleiros a apanhar o seu próprio lixo, a utilizarem produtos reutilizáveis e a apanharem, principalmente, as beatas do chão. Tudo isto de forma a reduzir ao máximo a pegada carbónica e o desperdício.