Viver com menos desperdício

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Esta não é uma fervorosa cruzada antiplástico. O inimigo não é o plástico; é o uso que dele fazemos, a forma como descartamos.

Não podemos continuar a produzir, a consumir e a reciclar como se não houvesse amanhã e como se os recursos fossem inesgotáveis. O problema não está apenas na forma como descartamos (crentes de que estamos a “deitar fora” e a reduzir o desperdício), mas também, e sobretudo, na forma como consumimos desenfreadamente.

Apesar das suas variadíssimas funcionalidades e de ser uma inovação tecnológica revolucionária, a forma como usamos e descartamos o plástico transformou-o, nas últimas décadas, numa arma mortífera e num agente poluidor com efeitos nefastos nos ecossistemas, sobretudo marinhos. E esse é o grande problema — o seu impacto pós-consumo, a sua permanência no ambiente, gerando danos gravíssimos e irreparáveis,  com  implicações  tanto  ambientais  como  na  saúde ou ao nível económico e social.

 

O poder dos pequenos gestos

A metodologia de Bea Johnson, desenvolvida na obra "Zero Waste Home", baseia-se em cinco passos fáceis:

recuse aquilo de que não precisa;

reduza aquilo de que precisa;

reutilize aquilo que consumir;

recicle o que não puder recusar, reduzir ou reutilizar; e

composte tudo o resto”. (JOHNSON, pp.31, 32)

Estes passos devem ser dados nesta ordem e atuam simultaneamente ao nível da prevenção dos resíduos (primeiro e segundo), do consumo mais consciente (terceiro) e do processamento do desperdício (quarto e quinto). De nada interessa continuarmos a produzir e a consumir e a reciclar como se não houvesse amanhã e como se os recursos fossem inesgotáveis.

 

Pequenos gestos, grandes impactos

Através de pequenos gestos todos podemos fazer a nossa parte:

- Dizer «Não, muito obrigada!» a brindes, publicidade, descartáveis

- Planificar bem as compras; comprar menos quantidade e apostar na qualidade

- Evitar processados e embalados, fazendo as próprias refeições com alimentos "de verdade"

- Comprar a granel

- Levar e reutilizar os próprios sacos e contentores

- Escolher legumes e fruta "feios" ou fora dos padrões ("quem vê caras "não vê sabores)

- Aproveitar ao máximo os alimentos (talos, cascas, sementes) e dar nova vida aos restos

- Acondicionar e preservar corretamente os alimentos

- Fazer o "download" de aplicações que combatem o desperdício

- Fazer compostagem caseira ou doar os resíduos orgânicos através da "ShareWaste" app

- Separar os resíduos e reciclar

- Fazer os próprios produtos de limpeza, higiene e beleza ou substituir por produtos sem embalagem plástica ou comprar a granel

- Optar por escovas de dentes de madeira (ou de cabeça amovível

- Não usar cotonetes de plástico

- Dizer "não" às palhinhas

- Andar sempre com um kit de talheres e guardanapo de pano

- Levar marmita

- Andar sempre com uma garrafa reutilizável e (re)abastecer

- Comprar menos e em segunda mão

- Deixar sugestões de melhoria a marcas e serviços e instituições

- Envolver(-se em) comunidade nesta revolução com o exemplo.

 

A revolução começa em cada um de nós. Com passos pequeninos. Podemos nunca chegar ao zero, mas vale a pena tentar. É essa a força da utopia. Não interessa por onde começa, como começa, o importante é mesmo isso: começar. Porque, como diz Miguel Torga, «o que importa é partir, não é chegar».

Comece já. Vamos juntos!

 

Artigo escrito em parceria com Eunice Maia, autora de Desafio Zero

 

Notas bibliográficas:

Johnson, Bea, Desperdício Zero, Lisboa, Editorial Presença, 2017

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