Modelo Organizativo do Sistema Eléctrico Espanhol
As principais características do sistema eléctrico espanhol são a existência de um mercado grossista de geração (também denominado “Pool Espanhola”) e o facto de todos os consumidores poderem escolher livremente o seu fornecedor de electricidade a partir de 1 de Janeiro de 2003. Adicionalmente, desde 2006, assumiram crescente e especial importância os contratos bilaterais e o mercado a prazo.
As centrais de geração de electricidade em Espanha operam sob o regime ordinário ou sob o regime especial. O sistema eléctrico está obrigado a adquirir toda a energia produzida pelos produtores em regime especial, consistindo em centrais de energia renovável ou de pequena dimensão com tarifas fixadas por Real Decreto ou Ordem que variam dependendo do tipo de produção e são geralmente mais altas do que os preços na pool Espanhola. Os produtores em regime ordinário vendem energia a preços de mercado na pool Espanhola ou através de contratos bilaterais com consumidores qualificados ou outros comercializadores, a preços acordados. Os comercializadores, incluindo os de último recurso, e consumidores podem comprar electricidade na pool. As empresas estrangeiras podem também comprar ou vender energia na pool.
A OMEL é o operador de mercado e agência responsável pela gestão económica e processo de licitação no mercado. As empresas de transmissão e os distribuidores regulados têm de disponibilizar o acesso de todos os consumidores que tenham escolhido ser fornecidos por um comercializador no mercado livre. Contudo, estes consumidores devem pagar tarifas de acesso às empresas distribuidoras caso tal acesso seja disponibilizado.
A rede de transporte de electricidade compreende as linhas de transmissão, estações, transformadores e outro equipamento eléctrico com voltagem superior a 220KV, bem como outros equipamentos, independentemente da voltagem, que facultem o transporte ou a interconexão, internacional e extra-pensinsular. A Red Eléctrica de España (REE) gere grande parte da rede de transmissão em Espanha. É responsável pela gestão técnica do sistema eléctrico Espanhol no que concerne ao desenvolvimento da rede de alta tensão, com vista a assegurar o fornecimento de energia e a coordenação adequada entre o sistema de transmissão e comercialização, e, bem assim, à gestão dos fluxos internacionais de electricidade. O operador do sistema cumpre as suas obrigações em coordenação com o operador de mercado.
Os comercializadores liberalizados são livres de definir os preços praticados aos seus clientes. Os principais custos directos da actividade destes operadores são o preço pago pela electricidade no mercado grossista e a as tarifas de acesso reguladas, a pagar às empresas de distribuição. Os produtores de electricidade e os comercializadores liberalizados ou clientes elegíveis podem contratar podem também celebrar contratos bilaterais sem participarem assim no mercado grossista.
Desde 1 de Julho de 2009, os comercializadores de último recurso, nomeados pelo governo Espanhol, fornecem electricidade aos clientes de último recurso (clientes de baixa tensão, com potência contratada inferior a 10KV). Desde então, os distribuidores não podem fornecer electricidade aos consumidores.